Sobre motociclismo, coletes e pequenos detalhes…

07/12/2010 postado por:FariaTF

Motos

Acordei cedo, com sono, super apressado. Arrumei a mochila, vesti minha jaqueta e colete, peguei o capacete, prendi a mochila no sissy-bar da moto e fui para o trabalho. Hoje seria em Mairiporã, nada muito longe daqui, cerca de 60km pelo caminho que faço (que aliás acabei de descobrir que posso fazê-lo em 30km).

O cabo do velocímetro está quebrado. Um problema não muito grande se você conhece o caminho e seus radares, mas um problemão quando essa é a única fonte de informação com relação ao nível de combustível no tanque.

Pois é, foi entrando na Rodovia Presidente Dutra que Murphy sorriu pra mim. Eu estava na faixa um, toda à esquerda, trafegando ao máximo que o pequeno motor da Valkyria poderia aguentar – Cerca de 100km/h. Soltei a aceleração para uma reduzida e fui surpreendido com uma tentativa falha de retomada.

A moto já não respondia mais, não havia uma gota sequer de gasolina em combustão. Um olhar rápido no retrovisor e, numa tentativa desesperada de não ficar com a moto travada em plena faixa um, atravessei todas as 4 faixas à minha direita. Entrando na faixa quatro, quase fechei um motociclista que, desavisado, foi surpreendido com minha chegada repentina. Passado o susto, a solução foi parar a moto e virar a chave da reserva. Ufa! Agora tenho cerca de 40km pra achar um posto. Parece muito, mas numa rodovia isso pode não ser distância suficiente. Poucos KM depois, já na Rodovia Fernão Dias, encontrei um posto e abasteci a motoca. Segui a viagem tranquilo desde então…

O que gostaria de frisar com essa primeira parte é justamente meu vacilo em não ter substituído o cabo do velocímetro anteriormente. Como a moto não possui indicador de combustível, ter o mesmo cortado enquanto se trafega é normal, mas pelo menos você consegue saber mais ou menos quando a moto vai falhar, assim evita de se expor em situações de risco (no meu caso, ter ficado nas faixas da direita teria resolvido o problema). Além disso, eu consegui encontrar um posto próximo e resolvi o meu problema. Mas e se isso não acontece? E aí que entra um outro detalhe importante que muita gente se esquece: Além do desgaste de ficar sem combustível no meio d’uma rodovia, estar com a moto parada por falta de combustível categoriza infração média, custando 4 pontos na carteira de habilitação e R$ 85,13.

Deixando a parte chata de lado…

Depois do trabalho, subi na moto e peguei a estrada SP-023 Franco da Rocha – Mairiporã. Ao reparar que o dinheiro que havia reservado para o pedágio tinha caído, resolvi parar e separar outras moedas. Encostei a moto no acostamento e comecei a revirar a mochila em busca da minha carteira. Nesse momento ouço algumas buzinhas estranhas, que lembraram uma sirene ou viatura. Imediatamente olhei pra trás e vi um vulto preto: Era um motociclista, pilotando o que parecia ser uma Drag Star. Logo que viu que o reparei, ele acenou à título de cumprimento, deu um sorriso e seguiu sua viagem pela estrada. Um gesto simples, mas deveras significativo.

O que o levara a fazer aquilo? Estaria ele feliz de mais com a vida, a ponto de distribuir joínhas a qualquer um? A resposta é simples: O colete.

Eu estava trajando o colete de meu motoclube, assim como faço todas as vezes que saio de casa, com ou sem moto.

O verdadeiro motociclista sabe que ao ver um outro motociclista coletado, não se deparou com um simples sujeito que pilota uma moto, mas sim com um companheiro, um porto seguro, uma extensão das duas rodas de sua moto, um amigo. Tudo isso mesmo sem conhecer de fato aquele ser que acabou de encontrar.

O colete de um motociclista não serve apenas para carregar o brasão de seu motoclube, bottons ou patchs com piadinhas do tipo “Motoqueiro é a puta que o pariu”.

O colete trás, quase que de prache, as cores e a essência do motoclube presentes no brasão. Alguns carregam alguns patchs adicionais contendo maiores informações sobre o mesmo, como patchs de suporte, facção, nome e hierarquia daquele que o veste e às vezes até o tipo sanguíneo.

Porém, mais do que a parte física do colete, está o valor agregado a ele. Aquele que veste o colete de um motoclube está carregando consigo também toda a história daquele motoclube, o respeito que foi conquistado durante o tempo, a conduta de todos os outros membros do motoclube.

A cobrança para aqueles que vestem um colete também é outra. O indivíduo coletado está sempre sendo vigiado não apenas pelos membros do seu motoclube, mas por toda a legião de motoclubes. Uma atitude errada, uma briga, uma zueira, e isso será visto por todos. Motoclubes sérios não toleram má conduta e quase sempre a punição é severa, indo desde o afastamento do membro até a expulsão do mesmo.

É por isso que o indivíduo ao assumir sua atitude de motociclista e vestir um colete passa a ser visto por outros olhos por aqueles que são do meio. A primeira impressão de um ser coletado quase sempre é: companheiro. É como fazer parte de uma grande família, onde muitos são desconhecidos entre si, mas há sempre aquela velha consideração. Coisa de irmão, quase.

Eu uso sempre meu colete, estando motorizado ou não, independente do lugar onde vou. É como vi numa imagem que postei no meu tumblr: Não dá pra brincar de ser ou não ser motociclista. Escolher os momentos onde se quer parecer sério ou quando se quer farrear. Vestir ou não o colete. O colete faz parte de você. É a sua conduta. É a sua família. É você.

One Response to “Sobre motociclismo, coletes e pequenos detalhes…”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Cleiton Souza, Marcos Faria. Marcos Faria said: Um post diferente: Sobre motociclismo, coletes e pequenos detalhes… http://bit.ly/htmo46 #shockmotors [...]

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