E aí, vamos viajar?

06/09/2010 postado por:FariaTF

Olha eu aqui mais uma vez, depois de um pequeno sumiço desde o último post.
O que venho falar hoje é sobre viagens. Sim, viagens. Não especificamente destino e melhores lugares para se visistar, mas os cuidados que você deve tomar antes de colocar tua magrela na estrada.

Esses dias mesmo resolvi fazer uma pequena viagem partindo de São Paulo para Curitiba-PR com minha pequena e muita gente me chamou de louco por realizar tal feito com segurança e sem imprevistos. Se você acha que viagem de moto, principalmente sozinho, é coisa de louco, dá uma olhada nessas dicas aqui:

Prefira viajar acompanhado

Seja por garupa ou outra moto. Pilotar uma moto implica em estar exposto à todo e qualquer tipo de risco – E acredite: eles são muitos. – Sem falar que na estrada eles se multiplicam exponencialmente.  Imprevistos acontecem e ter alguém consigo é sempre bom. Seja para ajudar num conserto, pedir socorro, sinalização… As vantagens de se viajar acompanhado são muitas.
Caso esteja pilotando com garupa, peça para que ele se atente também às variadas condições adversas. Sugerir uma parada caso perceba cansaço do piloto, avisar sobre veículos que aparecem do nada – Sim, eles existem e eu os chamo carinhosamente de carros fantasma. Aparecem do nada e sempre te assustam. -, sinalizar em caso de acidentes na pista também ajuda bastante.

Caso pilote acompanhado por outra moto, procure manter sempre uma formação em Z, onde uma moto está sempre do lado oposto da outra, mas nunca horizontalmente alinhadas. Isso ajuda na hora de desviar de buracos – Imagine você jogando para o lado por conta d’um buraco e derrubando teu amiguinho. Massa né? -. Caso ocorra algum acidente com alguma das motos, procure deixar uma delas parada à pelo menos 30m de distância da moto defeituosa, atravessada no acostamento e com o máximo possível de sinais luminosos – Se a moto tiver pisca alerta, ótimo. Se não tiver, faça um!!

Dê aquele check-up geral na pequena

Esse ítem aqui pode ser considerado um dos principais do post. Vale a pena perder alguns dias verificando cada detalhe da moto e sanar alguns problemas e evitar outros tantos. Separei alguns ítens aqui que acho de maior importância para a tal verificação:

Capacete

Verifique o estado do casco e viseira do seu capacete. Se ele já sofreu uma queda alguma vez, tente usar outro. A viseira é outro fator importante, principalmente em caso de garoa ou neblina. Viseiras riscadas prejudicam muito a visão, principalmente quando defronte à carros com farol ligado. O ideal mesmo é trocar a viseira e passar uma fina camada de detergente por dentro para evitar que o mesmo embace.
No caso de capacetes com a frente aberta, use óculos de proteçãoe eu não estou falando de óculos comum de grau – e algum lenço sobre nariz e boca. Lembrando que os mesmos não são recomendados, tanto para estrada como para perímetro urbano.

Carburação

Verifique os níveis de mistura ar/gasolina e troque o filtro de ar. Viajar com tais ítens desregulados pode fazer a moto falhar no meio do percurso, perder desempenho ou consumir mais do que deveria. Verifique também o estado de queima da vela, pois o mesmo pode lhe dar alertas sobre o comportamento da moto. Aqui e aqui tem umas dicas sobre verificação de velas.  - Não falei sobre as motos injetadas pois boa parte das motos de baixa cilindrada são carburadas, salvo alguns modelos mais novos. Caso você possua uma dessas belezinhas com injeção eletrônica, faça uma inspeção também!

Pneus

Verifique o estado dos pneus. Veja se não estão carecas ou próximos disso – Lembrando que pela legislação brasileira, o limite mínimo para os sulcos (desenhos) do pneu é de 1mm. Andar com os pneus nessas condições é multa na certa, além de te deixar mais vulnerável à furos. Verifique também se há desgaste irregular do pneu - um lado mais desgastado que o outro – isso pode indicar que você está andando com uma moto torta e precisa de alinhamento urgente.

Calibração dos mesmos

Baseado na carga que você vai levar, calibre os pneus da moto. Geralmente o pneu traseiro é calibrado com uma pressão diferente do dianteiro por carregar um peso maior, mas o valor exato quem vai definir é você de acordo com os valores especificados no manual do usuário da tua moto.

Coxim ou buchas da roda traseira

Poucas pessoas sabem, mas existe uma borracha que envolve o eixo da roda traseira. Ela reduz o impacto da relação no eixo da roda. Essa borracha custa um valor simbólico e precisa ser trocada urgentemente após o seu desgaste. Andar com o coxim desgastado pode aumentar o impácto da relação na roda, danificando a mesma, e traz uma folga relativamente incômoda no caso de retomadas. Esse é o tipo de item que nem se verifica. Vai fazer uma viagem? Troca.

Óleo

Essencial, né? Troque óleo e filtro de óleo antes da viagem, mesmo que seja curta. Veja também a vida útil do óleo para tua moto – 1.000km, 3.000km, 5.000km… – e se o percurso de ída for próximo da metade desse valor, é bom se preparar levando óleo para uma segunda troca.

Relação

Dê uma boa olhada na corrente, coroa e pinhão. O ideal é que os dentes da coroa e pinhão estejam o mais próximo de “quadradinhos” e que a corrente não esteja ressecada e consiga ser regulada. Coroa e pinhão com dentes quase que afiados e corrente que não estica direito pode indicar uma troca. O ideal mesmo é trocar pra não ter problema.

Estique a corrente

Não adianta ter uma relação nova e usar uma corrente frouxa. O ideal é antes da viagem fazer uma regulagem da corrente, mantendo a folga necessária de acordo com o manual do usuário de cada moto. Lubrifique a corrente também com óleos específicos – caso seja corrente com retentor – ou graxa branca. Lembrando que essa regulagem tem um tempo útil e vai se desregulando com o tempo. O ideal mesmo é, no caso de uma viagem longa, parar ao longo do percurso e fazer um novo ajuste.

Embreagem

Parece besteira mas é bom verificar, principalmente caso a embreagem esteja “patinando”. Um dos sintomas desse defeito é acelerar a moto, o giro – rpm – subir mas ela não desenvolver velocidade. Se a moto estiver com esse problema, isso pode se agravar no meio do percurso e você não vai querer arrumar uma embreagem no meio da estrada – acredite! E mesmo que a moto não dê problemas com embreagem no meio da estrada, ela perde desempenho. Você também não vai querer andar com uma 125cc que não desenvolve velocidade.

Freios

Sejam seus freios à disco ou tambor, verifique-os. Esses são mais alguns dos ítens que tem um desgaste com certa frequencia, assim como a relação e coxim da roda traseira, e precisam de uma atenção especial. Não tem segredo: Trocar as lonas do freio, dar uma lixada no cubo para tirar os resíduos da lona antiga e ajustar a altura do manete/pedal, no caso de freios à tambor. Trocar as pastilhas, verificar o disco e nível do fluído de freio, no caso de freios à disco. O custo dessa manutenção em vista do prejuízo que a falta dela pode trazer é muito baixo.

Cabos

Verifique o estado dos cabos de embreagem, aceleração, conta-giros, velocímetro e freios. Cabos demoram um pouco a se desgastar mas vale a pena dar uma verificada nos mesmos. Se possível, tenha sempre um jogo à mais para eventuais trocas.

Parte elétrica

Verifique todo o sistema elétrico da moto. Lanterna, farol, farol alto, piscas, luz de freio, painel… Com a vibração da moto é bem provável que queime alguma lâmpada ou solte algum fio. Vale também levar algumas lâmpadas reservas…

Previna-se

Além de fazer manutenção e ajustes, é bom levar alguns equipamentos reserva para o caso de imprevistos.
Cabos de diversos tipos, coxim de roda, graxa branca, lâmpadas e ferramentas. No caso das ferramentas, é bom verificar junto à moto e ao manual de serviços da mesma quais as chaves mais usadas na moto. Não precisa carregar 5kg em ferramentas, mas um alicate, porcas, roelas, chaves de fenda, philips e algumas chaves de boca podem ser úteis. - Ah, enforca-gatos podem quebrar um galhão também.

Conheça o trajeto

Você não precisa ter feito a viagem anteriormente, mas verificar todo o trajeto através de um mapa e buscar informações sobre as condições da via ajudam bastante. Ter uma referência dos postos de gasolina, pontos de parada, hotéis, pousadas, restaurantes.
Esteja ciente do trajeto que você vai fazer, das condições da vida e das paradas que pretende fazer, até mesmo para abastecimento. Faça uma média do consumo de combustível da tua moto e calcule quantas paradas serão necessárias para abastecer. Uma dica que eu dou é sempre deixar uma folga antes da seca total do tanque. Exemplo: Se tua moto faz 310km com um tanque e você está com 150km rodados, procure um posto e abasteça. Dependendo da estrada, existem trechos enormes sem um posto sequer, e ficar na mão por falta de gasolina, além de ser uma grande burrada, pode acarretar multaDe acordo com o CTB, permanecer com o veículo imobilizado por falta de combustível caracteriza infração média e cabe multa de R$ 85,13 além de 5 pontos na carteira.

Conheça-te a ti mesmo

Conhecer o próprio corpo e seus limites é fundamental. Saiba quanto você aguenta pilotando e respeite isso, fazendo paradas regulares para esticar as pernas, descansar, comer alguma coisa e ir ao banheiro.  Viajar cansado, com sono ou fome é um erro gravíssimo e pode acarretar consequências maiores ainda. Procure sempre ter algo pra comer e beber consigo para casos de emergência. Aproveite a viagem, faça sem pressa, curta o trajeto, pare para fotografar um pouco, relaxar… Viagens de moto podem se tornar bem prazerosas.

Pense no conforto

Para trajetos curtos, pilotar numa posição desconfortável pode parecer irrelevante, mas numa viagem longa ela pode se tornar uma pedra enorme no teu sapato. Verifique se sua moto possui um bom acento, tanto para o piloto quanto para o garupa, se o guidom deixa teus braços em posições confortáveis – viajar com um ape-hanger ou “seca suvaco” pode ser um pesadelo -, se há uma posição confortável para as pernas e se o barulho do escapamento não vai te fazer surtar ao longo do percurso. No caso de motos custom, esses problemas são facilmente resolvidos com uma troca de guidom, instalação de comandos avançados, sissy-bar, reforma do banco e troca do escapamento. Em caso de motos street, esportivas, trail, o melhor mesmo é tentar instalar uma bolha pra quebrar o vento e fazer uso de almofadas bem confortáveis sobre o banco.

Pense nas condições adversas

Super legal viajar à noite e com chuva numa pista acidentada, né? Não! Não mesmo!
Se você pode planejar a viagem, procure fazê-la durante o dia, entre 6h e 17h, e veja se o tempo está bom.  Se há mais de uma alternativa para o trajeto e uma delas é mais segura, porém mais demorada, escolha a mais segura. Agasalhe-se muito bem, independente do calor que estiver – garanto que na estrada isso não fará diferença -, leve capa de chuva – não que você vá usar - e se começar a chover, páre! Trafegar sob chuva é pedir pra sofrer acidente. O ideal mesmo é parar e esperar passar… Verifique também se o trajeto possui algum trecho muito alto ou de serrado. Geralmente nesses trechos podem ocorrer neblina e deslizamentos. Fique atento!

Me chame

Essa sem dúvida é a mais importante. Se for viajar, me chame e vamos rodar!

É isso, galerê.
O conteúdo aqui foi redigido por mim e, mais uma vez, é baseado em minhas pequenas experiências. Se você tem algo a acrescentar, deixa um comentário aqui ;D

Essas dicas foram voltadas mais para motos pequenas às quais eu tenho um certo conhecimento em manutenção, porém boa parte das dicas aqui podem ser aplicadas à motos de maior cilindrada, principalmente o último tópico.

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